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Álbum de Bill Callahan passeia entre o soturno e a intensidade

Bill Callahan aposta em clima soturno em seu novo álbum

A cada vez que o cantor e compositor Bill Callahan lança um disco, a primeira tarefa é ouvir as letras. As palavras dele escorrem com tamanha lentidão que seria possível entalhar todas as letras do disco em pedra sem apertar o botão de pausa. E elas também em geral exibem certa evolução. O ouvinte precisa descobrir que novas psicoses, expressões e níveis de intenção foram assumidos pelos personagens dele: distanciados e resmungões, sentimentais e sociopatas, secos e metafísicos, gratos e generosos.

Isso não é bom, porque o ouvinte dessa forma talvez perceba apenas secundariamente que a música de Callahan também avançou. Nos últimos cinco anos, depois que abandonou o pseudônimo Smog, seu canto ganhou força.

Rough Travel lembra algumas das melhores gravações do cantor country Merle Haggard, e se a voz grave dele fosse dividida em notas separadas em lugar de operar em glissandos, você identificaria o que Callahan faz de maravilhoso em Rough Travel.

O contraste entre seu canto soturno e o volume e intensidade da banda faz com que narrativas solitárias como as de A River Ain't Too Much to Love, Rock Bottom Riser, The Well, Let Me See the Colts, o folk In the Pines pareçam ainda mais solitárias, em um lugar onde todo mundo mais parece estar se divertindo muito.

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